Como Fazer um Acordo Amigável que Vale Juridicamente

Atualizado em 19/05/2026 · Leitura ~10min · Por equipe Atlas Jurídico

Acordo Extrajudicial Amigável: Como Fazer e Quando Vale a Pena

Introdução

Resolver conflitos de forma rápida, sem precisar ir ao tribunal, é o desejo de muitas pessoas. Seja para cobrar uma dívida, encerrar uma relação comercial ou resolver questões familiares, o acordo extrajudicial amigável pode ser uma solução eficiente e menos desgastante. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 70% dos processos judiciais no Brasil poderiam ser resolvidos por meio de acordos antes de chegar ao Judiciário.

Neste artigo, você vai aprender o que é um acordo extrajudicial, quando ele pode ser usado, como fazer um documento que tenha validade jurídica e em quais situações é essencial procurar um advogado.

O Que É e Quando Usar

O acordo extrajudicial é um documento formal em que duas ou mais partes resolvem um conflito de forma amigável, sem a necessidade de um processo judicial. Ele pode ser usado em diversas situações, como:

A principal vantagem é a economia de tempo e dinheiro. No entanto, para que o acordo tenha validade jurídica, ele precisa ser feito de forma correta, respeitando a legislação e os direitos de ambas as partes.

Base Legal

A legislação brasileira permite e regula os acordos extrajudiciais em diversas áreas. Veja os principais dispositivos legais:

Essas leis garantem que, se o acordo for feito de forma correta, ele terá força legal e poderá ser usado para cobrar ou exigir o cumprimento do que foi combinado.

Passo a Passo Prático

Aqui está um guia simples para fazer um acordo extrajudicial:

  1. Identifique o problema e as partes envolvidas: Certifique-se de que todas as pessoas ou empresas relacionadas ao conflito estejam dispostas a negociar.
  1. Defina os termos do acordo: Escreva, de forma clara, o que cada parte está disposta a fazer ou ceder. Por exemplo, o valor a ser pago, o prazo de pagamento, ou a entrega de um bem.
  1. Redija o documento: Inclua as seguintes informações:

- Identificação completa das partes (nome, CPF/CNPJ, endereço);

- Descrição detalhada do problema e do que foi acordado;

- Prazos e condições para cumprimento;

- Penalidades em caso de descumprimento.

  1. Assine o acordo: Todas as partes devem assinar o documento. Se possível, inclua a assinatura de duas testemunhas, pois isso aumenta a validade jurídica (Art. 784, IV, do CPC).
  1. Reconheça firma em cartório: Embora não seja obrigatório, o reconhecimento de firma dá mais segurança e evita questionamentos sobre a autenticidade das assinaturas.
  1. Guarde uma cópia: Cada parte deve ficar com uma via assinada do acordo.
  1. Cumprimento do acordo: Certifique-se de que as obrigações estão sendo cumpridas dentro do prazo combinado.

Modelo / Exemplo Real

Segue um exemplo de acordo extrajudicial:

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ACORDO EXTRAJUDICIAL

Pelo presente instrumento particular, as partes abaixo qualificadas:

Parte 1: João Silva, CPF 123.456.789-00, residente na Rua das Flores, nº 100, São Paulo/SP. Parte 2: Maria Oliveira, CPF 987.654.321-00, residente na Avenida Central, nº 200, Rio de Janeiro/RJ.

Resolvem, de forma amigável, celebrar o seguinte acordo:

  1. Objeto do Acordo: João Silva reconhece que deve à Maria Oliveira a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), referente a um empréstimo realizado em 01/01/2023.
  1. Forma de Pagamento: O valor será pago em 5 parcelas mensais de R$ 1.000,00 (mil reais), com vencimento no dia 10 de cada mês, iniciando em 10/03/2023.
  1. Penalidade por Descumprimento: Em caso de atraso no pagamento, incidirá multa de 2% sobre o valor da parcela em atraso, além de juros de 1% ao mês.
  1. Disposições Gerais: Este acordo é firmado em caráter irrevogável e irretratável, obrigando as partes e seus sucessores.

Assinam as partes e duas testemunhas:

João Silva Maria Oliveira Testemunha 1: Nome, CPF Testemunha 2: Nome, CPF

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Prazos e Custos

- Reconhecimento de firma: R$ 10 a R$ 20 por assinatura.

- Registro em cartório (opcional): R$ 50 a R$ 200, dependendo do estado.

Quando Procurar Advogado

Embora seja possível fazer um acordo extrajudicial sem advogado, há situações em que a ajuda profissional é indispensável:

Nesses casos, um advogado pode garantir que o documento seja elaborado de forma correta e evitar problemas futuros.

Perguntas Frequentes

1. O acordo extrajudicial precisa ser registrado em cartório?

Não é obrigatório, mas o registro ou reconhecimento de firma aumenta a segurança jurídica.

2. Posso fazer um acordo extrajudicial por e-mail?

Sim, desde que as partes concordem e haja comprovação de aceite. No entanto, um documento físico com assinaturas é mais seguro.

3. O que acontece se uma das partes não cumprir o acordo?

O acordo pode ser usado como título executivo extrajudicial (Art. 784, IV, do CPC) para cobrar judicialmente.

4. Preciso de testemunhas no acordo?

Não é obrigatório, mas a presença de testemunhas fortalece a validade jurídica.

5. Posso usar ferramentas online para criar o documento?

Sim, plataformas como "Atlas Jurídico Cidadão" podem ajudar a gerar documentos automaticamente.

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Este artigo é informativo. Casos complexos exigem advogado. Se você tiver dúvidas ou precisar de ajuda para elaborar ou executar um acordo, procure um profissional especializado.

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